portfólio, aperiódico e laboratório de experimentação gráfica.
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Years – Bartholomäus Traubeck

Category : discreto
Date : abril 20, 2017

O a longo do alfabeto inglês tem para mim
a tonalidade de madeira exposta à intempérie,
mas o
a francês evoca ébano polido.
(Vladimir Nabokov, Fala, memória)

Se você fosse descrever um pedaço de madeira que está à sua frente, em quais características você se basearia?

O pinus é um material macio, de tonalidade clara; uma prancha de teca é resistente e sua coloração, castanho-amarelada; uma chapa de compensado é flexível, mas firme.

O que esses adjetivos têm em comum? Todos são de ordem ou tátil, ou visual.

É natural, e quase inevitável, que a interpretação dos objetos à nossa volta passe inicialmente pelo crivo da visão e do tato. Falamos de cores, texturas, dimensões, massa e densidade, desenhos e padrões, além de perfurações, talhas e sulcos —características que identificamos pela observação ou pelo toque.

Mas você já imaginou se seria possível apreender as cores, texturas, dimensões e padrões por meio dos demais sentidos: a audição, o paladar ou o olfato?

Pela audição isso já é, sim, possível.

Você talvez já tenha ouvido falar de experiências como a de Neil Harbisson. O artista cyborg, que nasceu com acromatopsia —portanto enxerga o mundo em tons de cinza—, desenvolveu um aparato denominado eyeborg que o permite ouvir as cores que não é capaz de reconhecer com a visão. Dotado de um sensor que detecta a frequência das cores que estão à sua frente, conectado a um chip instalado no crânio de Harbisson, o aparelho traduz a informação para impulsos sonoros. Neste vídeo, você pode conferir o próprio artista fazendo uma demonstração do processo.

Você já notou como os anéis de idade das árvores guardam uma analogia com a superfície dos discos de vinil?

Além das cores, os diversos atributos de um pedaço de madeira podem também ser assimilados pela audição. O artista austríaco Bartholomäus Traubeck concebeu uma vitrola capaz de tocar discos obtidos diretamente dos troncos das árvores. Cada disco provém de uma espécie diferente encontrada na Áustria —como pinheiro, carvalho e nogueira— e gera uma sonoridade particular. Neste link, você pode ouvir as faixas referentes a cada uma dessas espécies.

Os anéis da madeira são como os sulcos dos discos de vinil: ambos contêm dados. Para a dendrocronologia, esses dados permitem deduzir informações sobre a vida da árvore e o ambiente no qual está inserida. Em Years, esses dados são captados por um PlayStation Eye, e então traduzidos para notas de piano por um sistema composto por uma vitrola, uma placa Arduino, pelo software Ableton Live e pelo ambiente de programação vvvv.

No vídeo, você pode conferir o sistema em ação.

 

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